Caiado deve cumprir promessa de campanha e apurar rombos nas contas públicas do Estado de Goiás


Apesar do discurso de conciliação, o democrata terá que levantar as inconsistências nas contas do Estado e buscar a responsabilização daqueles que, por ação ou omissão, contribuíram para o quadro preocupante das finanças estaduais

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Vencidas as eleições para o Governo de Goiás com quase 60% dos votos válidos, o senador Ronaldo Caiado (DEM) adotou um discurso conciliador e disse que a partir de janeiro de 2019 será o governador de todos os goianos.  Argumentou, no entanto, que fez uma campanha descomprometida de qualquer acordo, por isso, terá total liberdade para escolher sua equipe e para tomar as decisões que são necessárias.

Durante toda sua campanha, Caiado endureceu o discurso e prometeu que os rombos nas contas públicas de Goiás seriam apurados e os responsáveis devidamente responsabilizados. Além dos sucessivos déficits orçamentários, verificados desde 2012, o Estado de Goiás tem um grave problema no seu fluxo de caixa, que fechou negativo em mais de R$ 2 bilhões ao final de 2017.

Com uma dívida consolidada beirando os R$ 20 bilhões, Goiás gasta quase 10% da sua receita total com os chamados serviços da dívida (juros mais principal) e tem uma das mais baixas capacidades de investimentos entre todos os estados brasileiros. Os últimos superávits primários servindo à dívida foram pífios.

A Conta Centralizadora, que foi substituída pela Conta Única em 2017, apresenta um rombo de mais de R$ 1 bilhão, recursos vinculados que foram apropriados do Fundo Estadual de Saúde e da Secretaria da Educação do Estado, por exemplo, e não foram devolvidos. A previdência estadual é outro problema grave que deve ser encarado pelo governador eleito. Em 2016, o ex-governador Marconi Perillo extinguiu o fundo previdenciário e criou o fundo financeiro de previdência. O rombo anual desse fundo chegou a R$ 2,2 bilhões ao final de 2017.

O primeiro passo do governador eleito, segundo especialistas, será abrir a caixa preta das contas públicas, até para não assumir o ônus da impossibilidade imediata de mudanças. Com o Estado “quebrado”, muito pouco poderá ser efetivamente feito. O trabalho será de reconstrução das estruturas fiscais, com melhora dos índices para que seja possível a busca de recursos externos para o equilíbrio das contas.

Espera-se, no entanto, que concomitante a essa política de reequilíbrio fiscal Caiado haja também para responsabilizar aqueles que dilapidaram o Estado nos últimos 20 anos.

 

Sobre o autor

Graduando em Administração de Empresas pela UFG - Campus Goiânia, crítico das práticas politiqueiras e absolutamente intolerante a corrupção. @regesmaia

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