Contas do Estado de Goiás estão deterioradas desde 2014


Cancelamento de empenhos, inscrição de restos a pagar sem provisão de caixa, ordens de pagamentos fictícias e descumprimento dos índices constitucionais da saúde e educação vêm ocorrendo desde 2014

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As contas públicas do Estado de Goiás estão deterioradas desde 2014, no mínimo. O último superávit orçamentário experimentado pelo governo tucano que comanda Goiás desde 1998 ocorreu em 2011. De lá pra cá, o Estado nunca mais fechou no azul e em 2015, quando a secretária de Fazenda era Ana Carla Abrão, o déficit orçamentário foi o maior já registrado na história do Estado: R$ 1,885 bilhão.

Comandado por Marconi Perillo (PSDB) até início de abril de 2018, o Governo de Goiás se arrastou para chegar até aqui, e agora, definitivamente, vê-se numa situação de insolvência que começa a causar colapso na prestação dos serviços públicos.

Hoje, 27, três unidades de saúde estaduais, administradas por organizações sociais, fecharam as portas por falta de repasses dos recursos. O Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa), Materno Infantil e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes não estão mais recebendo pacientes.

Ao final de 2014, a auditoria do TCE-GO apontou um rombo na Conta Centralizadora na ordem de R$ 1,492 bilhão. Naquele ano, o Governo de Perillo fechou com uma indisponibilidade de caixa na ordem de R$ 700 milhões.

Em 2015, o negativo da Centralizadora cresceu para R$ 1,592 bilhão e a indisponibilidade de caixa subiu para R$ 1,6 bilhão. Em 2016, o saldo negativo caiu para pouco mais de R$ 1,3 bilhão e a indisponibilidade de caixa chegou a R$ 1,379 bilhão depois da inscrição dos restos a pagar não processados.

Em 2017, a situação continuou se deteriorando e o Governo de Marconi Perillo continuou se valendo de manobras contábeis para fechar as contas públicas. Naquele ano, a indisponibilidade de caixa chegou a R$ 2,01 bilhões e a auditoria do TCE apontou um rombo de R$ 7 bilhões no caixa destinado ao pagamento de despesas extraorçamentárias, aquelas em que o Estado figura como mero depositário, como consignados, por exemplo.

O ano de 2018 ainda não terminou, mas o governador eleito, Ronaldo Caiado, já informou que receberá o Estado com um rombo no caixa que gira em torno de R$ 3,6 bilhões, sendo que R$ 1,68 bilhão se referem aos salários de dezembro e parte de novembro que ainda não foi quitado na sua totalidade. Caiado denunciou, também, que tais valores sequer foram empenhados.

 

Sobre o autor

Graduando em Administração de Empresas pela UFG - Campus Goiânia, crítico das práticas politiqueiras e absolutamente intolerante a corrupção. @regesmaia

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