Falta de hospitais regionais em Goiás e hospitais terceirizados às OSs sobrecarregam saúde em Goiânia

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A saúde pública de Goiânia tem sido tema de uma diuturna campanha midiática, onde são mostrados casos de pacientes sofrendo em filas de Cais lotados e reclamando que não conseguem atendimentos nos postos de saúde. No campo político, vereadores instalaram uma Comissão Especial de Inquérito para apurar as causas dos problemas e acusam a Secretaria de Saúde de omissão e não apresentar medidas para conter o que chamam de caos na saúde pública de Goiânia.

Apesar do que mostram as emissoras de TV, a saúde em Goiânia não está pior do que estava há um, dois ou três anos atrás. A Saúde da Capital começou a entrar em colapso quando os hospitais públicos estaduais foram terceirizados às Organizações Sociais, as chamadas OSs, e fecharam suas portas para o atendimento ao público, obrigando os centros municipais de saúde a atenderem todos os pacientes que, supostamente, não se enquadravam no perfis para atendimentos nos hospitais.

Com status de hospitais regulados, as OSs só atendem os chamados procedimentos de alta complexidade e os atendimentos que não se enquadram nesse diagnóstico foram, obrigatoriamente, suportados pelos Cais da cidade. O Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), por exemplo, que atendia 800 pessoas/dia passou a atender apenas 190 pacientes. Aqueles que não encontraram atendimentos nos hospitais administrador por OSs foram para os Cais e o resultado é assustador: um único Cais em Goiânia chega a fazer 300 mil atendimentos/mês.

Agrava ainda mais a situação, o fato do estado de Goiás não dispor de hospitais regionais. Em quase 20 anos administrando o estado, o governo tucano de Goiás não construiu unidades de saúde no interior goiano e as iniciadas não foram concluídas, como é o caso do hospital de Uruaçu e de Santo Antônio do Descoberto, no entorno do DF. Sem hospitais, toda a população do interior vem a Goiânia em busca de atendimento médico. Sem regulação, esses pacientes chegam à Capital e declaram residir na cidade, impedindo que Goiânia receba por esses atendimentos.

Para se ter uma ideia da dificuldade que vive a saúde em Goiânia, a cidade, com  1,4 milhão de habitantes, tem inscritos no SUS cerca de 4,5 milhões de pessoas declarando residir na Capital. Um novo sistema que começa a ser implantado na saúde goianiense, no entanto, promete estabelecer maior controle na regulação de vagas e trazer maior transparência aos processos de marcação de consultas e exames.

Sobre o autor

Graduando em Administração de Empresas pela UFG - Campus Goiânia, crítico das práticas politiqueiras e absolutamente intolerante a corrupção. @regesmaia

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