Quatro delatores ligados à Odebrecht atestam o suposto pagamento de propina a Marconi Perillo


Executivos e ex-executivos da empreiteira afirmaram em acordo de delação premiada homologado pela justiça que o ex-governador teria recebido R$ 10 milhões nos anos de 2010 e 2014.

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Com base nos depoimentos dos colaboradores Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, Alexandre José Lopes Barradas, João Antonio Pacífico Ferreira e Ricardo Roth Ferraz de Oliveira, todos ligados à empreiteira Odebrech, o vice-Procurador-Geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada, requereu e o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de inquérito para investigar o suposto pagamento de propinas ao então governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), nos anos de 2010 e 2014.

De acordo com a PGR,  Marconi Perillo, por intermédio de Jayme Rincon, presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), teria recebido ilicitamente recursos para suas campanhas eleitorais ao Governo do Estado de Goiás nos anos de 2010 e 2014, em troca de patrocinar os interesses da Odebrecht no Estado, especificamente os interesses da Odebrecht ambiental na área de saneamento básico.

Segundo consta da peça inicial da PGR que integra o bojo do processo que investiga a suposta conduta ilícita do ex-governador de Goiás, no ano de 2010, Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, presidente da Odebrecht Ambiental, narra que foi convidado pelo então Senador Demóstenes Torres para um jantar em sua casa, após ter feito diversos repasses irregulares para a campanha eleitoral deste. Nesse jantar estariam presentes também o então senador  Marconi Perillo e as respectivas esposas dos políticos.

Na oportunidade, Perillo, que era candidato a Governador do Estado de Goiás, pediu R$ 2 milhões  para financiar sua campanha, se comprometendo a desenvolver projetos de água e esgoto que eram de interesse da Odebrecht Ambiental. Tais pagamentos foram operacionalizados pela equipe de Hilberto Silva, tendo Marconi Perillo recebido o apelido “calado” nas planilhas e operações.

A PGR prossegue afirmando que no ano de 2014, às vésperas da campanha de sua reeleição, aparentemente por estar novamente fortalecido politicamente, e por ter interesse em novo recebimento de vantagens indevidas em razão do cargo, Marconi Perillo lançou, através da Saneago, Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para o “projeto de esgotamento sanitário da região do entrono do DF”.

“Com o lançamento do Procedimento de Manifestação de Interesse em 20 de fevereiro de 2014 o próprio Marconi Perillo imediatamente tomou a iniciativa de marcar uma reunião com Marcelo Odebrecht, a qual ocorreu em 28 de março de 2014”, diz trecho da petição da PGR. Nessa reunião, Marconi teria pedido uma contribuição de campanha de R$ 50 milhões, mas a Odebrecht teria deliberado o pagamento de R$ 8 milhões ao tucano.

Marconi Perillo é acusado de recebimento de vantagem indevida, ou corrupção passiva, e falsidade ideológica, uma vez que, segundo a PGR, aplicou os recursos recebidos indevidamente em sua campanha e não os declarou à justiça eleitoral. Com a renúncia de Perillo ao cargo de governador, em abril próximo passado, o processo desceu para a Justiça Federal de primeira instância em Goiás.

Leia a denúncia da PGR clicando aqui

Sobre o autor

Graduando em Administração de Empresas pela UFG - Campus Goiânia, crítico das práticas politiqueiras e absolutamente intolerante a corrupção. @regesmaia

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