Secretaria Municipal de Saúde repudia sensacionalismo de vereador em Cais de Goiânia

0

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, em nota divulgada  hoje, 13, repudiou veementemente o vídeo divulgado pelo vereador Alysson Lima na manhã de ontem, 12, em que, de dentro do Cais de Campinas, tenta forçar uma situação de caos naquela unidade de saúde, que na realidade não existia. A Secretaria disse que o comportamento do vereador não é condizente com o que se espera de um digno representante do povo, ainda mais quando se trata de um comunicador.

No vídeo de quase 40 minutos, transmitido ao vivo pela página do vereador no facebook, Alysson Lima (PRB) tenta mostrar um quadro de dificuldades para os pacientes que aguardam atendimento na unidade de saúde, mas a realidade mostrada no próprio vídeo é completamente diversa daquela narrada por ele. As cadeiras vazias que aparecem na filmagem não condizem com o quadro de superlotação que o vereador tenta passar para os internautas. Outra contradição apontada pela Secretaria é o fato do próprio vereador afirmar que há falta de médicos no Cais, quando, na verdade, nove profissionais trabalhavam na unidade.

De acordo com a nota, Alysson, na busca pelos holofotes, trata de modo simplório e sensacionalista um assunto tão complexo, cuja solução clama por imprescindível a união de esforços entre governos Federal, Estadual e municipal. O vídeo, segundo a saúde goianiense, expõe pacientes que lhe não autorizaram uso de imagem, algo garantido pelo Artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal; viola direitos de privacidade e bioéticos dos pacientes e funcionários, incita o caos, atrapalha a rotina de atendimento na unidade e mostra acesso a algumas alas sem vestimentas adequadas ao ambiente, algo que oferece risco à saúde dos pacientes em tratamento.

Leia, na íntegra, a nota da Secretaria Municipal de Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia manifesta veemente repúdio ao comportamento do vereador Alysson Lima durante transmissão de vídeo feita no Cais de Campinas nesta sexta-feira, 12. A utilização de vocabulário chulo e ofensivo, presente em vários momentos das imagens, não é condizente com o cargo parlamentar que ocupa – para o qual se preceitua diplomacia e decoro – e também para um comunicador, do qual se espera compostura, o uso adequado de palavras e, minimamente, compromisso com a verdade, o que o vereador Alysson Lima não demonstrou.

As próprias imagens feitas pelo vereador mostram realidade diferente da que foi narrada por ele. Nos primeiros 52 segundos de transmissão, Alysson fala em superlotação enquanto as cenas mostram uma recepção com mais da metade de poltronas vazias. Igualmente, ele afirma que há falta de profissionais quando nove médicos trabalhavam na unidade, incluindo quatro pediatras. Sem qualquer embasamento, também diz que há falta de medicamentos no local, algo totalmente inverídico e que, sequer, foi checado – o mínimo que um jornalista deve fazer. A conduta de Allyson, inclusive, põe em pauta a necessidade de reflexões sobre a era da “pós-verdade”, onde o comunicador “não é mais aquele que duvida, pergunta, reflete, busca interpretar a complexidade do mundo, mas que afirma peremptoriamente, sentencia, reitera, constrói a realidade conforme os lobbies que faz ou defende.”

Allyson ainda demonstra desconhecimento da própria realidade da administração pública. Confunde orçamento com arrecadação, ignora a classificação de risco utilizada para atendimento nas unidades de saúde, dando ênfase a casos de dores de cabeça e garganta; a contratação de novos médicos, apesar da ampla divulgação pela imprensa; assim como o custo anual de mais de R$ 1,1 bilhão que a prefeitura tem com o sistema público de saúde. Além disso, o vereador trata de modo simplório um assunto tão complexo, que perpassa investimentos em saúde nas cidades do interior do Estado, a sobrecarga do sistema da capital, o problema do pacto federativo e a imprescindível união de esforços entre governos Federal, Estadual e municipal. Pior ainda, o vídeo expõe pacientes que lhe não autorizaram uso de imagem, algo garantido pelo Artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal; viola direitos de privacidade e bioéticos dos pacientes e funcionários, incita o caos, atrapalha a rotina de atendimento na unidade e mostra acesso a algumas alas sem vestimentas adequadas ao ambiente, algo que oferece risco à saúde dos pacientes em tratamento.

A pasta reconhece que, como em todo país, há limites a serem vencidos na rede pública de saúde municipal, mas o fato é que a atual gestão, que começou apenas há cinco meses, não tem sido inerte diante das dificuldades. Inclusive, o gabinete da secretária Fátima Mrué, a qual Allyson Lima não procurou, está de portas abertas para lhe apresentar os avanços já obtidos e os projetos em andamento. O movimento é contínuo em busca de melhorias para a assistência em saúde dos goianienses. Movimento para o qual, aliás, é imprescindível o envolvimento de parlamentares que tenham disposição de debater ideias e que substituam a espetacularização pela busca de soluções efetivas, algo que, de fato, a cidade precisa. O diálogo é sempre o melhor caminho.
Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde

 

Sobre o autor

Graduando em Administração de Empresas pela UFG - Campus Goiânia, crítico das práticas politiqueiras e absolutamente intolerante a corrupção. @regesmaia

Comments are closed.