Suspensão do pagamento da dívida vai se constituindo a única saída de Caiado


A demora do socorro federal e a previsão de uma ajuda financeira muito pequena em relação ao rombo de mais de R$ 6 bilhões afunilam as opções do atual Governo Estadual. Sem recursos, o democrata não terá outra opção, senão o calote temporário da dívida

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A demora do socorro federal, e a certeza de que, se vier, a ajuda financeira da União não será suficiente para tapar o enorme buraco deixado pela gestão anterior, faz com que a suspensão do pagamento dos chamados serviços da dívida seja cada vez mais considerada pelo executivo goiano. Entre juros e amortização, o Governo de Goiás paga hoje algo perto de R$ 2,4 bilhões por ano.

De acordo com notícias divulgadas na imprensa, o Governo Federal deve enviar a Goiás coisa de R$ 780 milhões, quantia que representa pouco mais de 12% do rombo anunciado por Ronaldo Caiado, que seria de R$ 6,06 bilhões. A ajuda da União bancaria tão somente metade da folha de pagamento de um mês dos servidores estaduais.

A demora na execução de outros planos para aumento de receitas e contenção de despesas por parte do executivo tem aumentado o risco de colapso dos serviços públicos estaduais, o que faz aumentar a tensão dentro do próprio governo, facilitado ainda mais a vida da oposição, que tem se aproveitado do momento para impor mais desgastes a Ronaldo Caiado.

Embora o Estado tenha sido comprometido por uma série de ações impostas pelos governos que antecederam Caiado, as medidas tomadas até agora pelo atual governo foram inócuas para apontar o caminho que possa levar ao reequilíbrio das contas públicas e só trouxeram mais desgastes para Caiado e sua equipe. Desarmar as arapucas armadas pelo tucanato em Goiás exige de Ronaldo Caiado coragem e responsabilidade, mas isso deve ser feito o mais rápido possível, independente se vai agradar ou não a opinião pública.

Suspender o pagamento dos serviços da dívida vai se revelando a melhor das opções, ainda que possa ter consequências difíceis. Para colocar essa opção em prática, o Governo deve, no entanto, recorrer ao Supremo Tribunal Federal, pedindo que o Estado não seja impedido de receber as transferências legais por parte da União, em virtude do calote temporário.

Sobre o autor

Graduando em Administração de Empresas pela UFG - Campus Goiânia, crítico das práticas politiqueiras e absolutamente intolerante a corrupção. @regesmaia

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