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Cidades

Dona de casa com aneurisma teria sido recusada no Hugo, dizem
parentes. Médicos suspeitam de morte cerebral.

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A terceirização da saúde goiana às Organizações Sociais é apenas um sofisma. Cláusula pétrea da Constituição Federal, a saúde é um direito inalienável de todo cidadão brasileiro e deve ser provida pela instituição Estado, seja município, estado ou união.

Depois que foi entregue a uma OS, o Hospital de Urgências de Goiânia, Hugo, que atendia uma média de 800 pacientes por dia, passou a atender algo em torno de 190 pessoas. O hospital deixou de ser uma unidade de demanda livre para atuar como uma unidade regulada, de atendimento de urgência e emergência.

Dizemos que a administração da saúde por OS é um sofisma, porque usam dados verdadeiros para venderem uma mentira. Se fizermos uma visita ao hospital, veremos que de fato não há mais pacientes sem atendimentos em corredores, mas a verdade omitida é que mais de 76% da população que buscava socorro médico no Hugo, e de alguma forma eram atendidos, simplesmente foram excluídos do atendimento, sob a justificativa de que são pacientes fora do perfil do hospital.

A médio e longo prazo a tendência é que esses atendimentos pelas OSs fiquem ainda mais seletivos e mais caros para o Estado. Não encontrando atendimento nos hospitais de urgências, o cidadão é obrigado a procurar um Cais e aí o resultado todos conhecem: super lotação e mau atendimento. Todo esse ônus é debitado à Prefeitura de Goiânia. O Governo do Estado continua colhendo o bônus de um pseudo atendimento de excelência praticado nos hospitais administrados pelas OSs.

Um caso grave e lamentável envolvendo o Hugo, aconteceu no início desse mês. A dona de casa Patrícia França Ferreira, de 25 anos, passou mal e procurou a unidade. Segundo parentes de Patrícia, a dona de casa foi recusada por duas vezes no hospital, sob a alegação de que estaria fora do perfil da unidade. Depois de recorrer a um atendimento particular, Patrícia passou por exames e foi constatado que ela tinha um aneurisma e precisaria passar por uma cirurgia urgente. Dada a demora no atendimento, a dona de casa encontra-se internada em estado gravíssimo e os médicos já suspeitam de morte cerebral.

E assim caminha a administração por OSs. A saúde pública sob a administração do particular é antes de mais nada um grande risco para a população. O direito ao atendimento público de saúde, especialmente nos casos mais graves, será uma grande loteria: os que conseguem passar pra dentro sobrevivem, os demais, morrem.

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